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"Secret Names Looking for a Mask" | photography exhibition
SECRET
NAMES LOOKING FOR A MASK
One boy seems to have his look fixed on the distance. So young and still there’s an ironic covered status in his actions materialized by the mask in the instant moment that his hands shape a rubberized film expression that’s about to bring terror into his youthful face. A little girl, dressed as a fairy, is holding a stick with a six edged star on top in one of her hands. Like a fairy or a fallen angel from the Jewish angelology, she awaits, innocent, for the script to be transformed, a kind of good new, almost a miracle about to take place in the standstill of image and time stopped up in childhood. In a way, none of those who were photographed can be far from this “fallen angel’s” condition in the space of time firmed and confirmed in Inês Gonçalves’ photograph. They register silence. Silence without shadow. Transmitted to us with an indifference sustained by a secret identity and only connected to a photographed body. A single real link captures each one of these images sustaining it in the photograph’s space. It’s the brief moment of a choice, of a sign of will, of an intention, of a gesture kept, of a desire that instantly appeared and won using all its defences and that moment stood as the radiant use of a mask. And it also used darkness, covering in a light hazy dust some of the spaces outlined in the back.
In each one of the unknown characters, the mask was held as a conveniently long period. It has helped their personality. It lived by their side and occupied their imagination until it rose in image and in a metamorphosis. One day, in some park in some city – no need for a name but for all to be a complete secret – Inês Gonçalves photographed them. Like characters acting in a photographic script (and yet, with a motionless presence), like characters showing an ideal plot that has no biographic view – just a mask, or not even that, for it is the mood of the series that suggests us that the mottled coat worn by the long-haired girl is also a “mask”. The photographer highlights them and neutralizes them in an insertion proof in the world of image.
This photographic series is not like a description. It has a limited direction running through the pictures as if it were a boundary between the physical and the psychological and yet, those images are nothing but a portrait that, having no name, carries away the silence (follow the young people’s look) as a demonstration of its own strength. Strength of immanency, of the horizon shown in the revelation of a mask (but also the refusal of a joke that may exist in the mask and in the disguise, that is now returning in some contemporary art) and of the immersion of the individual’s consciousness (whose name is unknown) in the intentional and pulsating structure of the photographed field .
In this Inês Gonçalves’ seven picture series, the whole process is connected to an intimate relation between performance and object. Her ability as a photographer is to capture expressions of colour (shades of grey dissipating), sounds, tastes, numbers (present in the volumes and atmospheres registered), the distance between performance and object. To express, after all, that curve or that path that leads to the object, with the help of the verb to act (“boy with the mask in his hands” or “girl with the star edged stick”).This dimension of performance, which is perhaps nothing less than a succeeded look over the object, holds the intensity of a sentiment (a photographic one) and projects the image beyond the centering of the chosen object. Thus, the ignorance of the name and the limit, the now moment of the mask, that are considered as a materialization and even as a form of acting. João Miguel Fernandes Jorge
Portuguese (original text)
NOMES SECRETOS À PROCURA DE UMA MÁSCARA
Fotografou-os Inês Gonçalves. Quando me mostrou as fotografias creio que me disse 2000, como ano da sua realização. Se assim foi, oito anos distanciam em ausência as personagens em busca de argumento. Se assim não foi, pouco importa; pois as raparigas e rapazes fotografados deram somente à imagem um brevíssimo tempo. Tempo de hesitação e de incerteza, de alheamento e de reflexão; e de um olhar que se perde em simultâneo no abandono e no desejo da entrega da disciplina de uma máscara. Máscara que em um dos rapazes sublinha as orelhas de um rato e, noutro, nos mostra a indumentária de Batman. Enquanto três raparigas se mascaram (na forma assumida do seu vestir): uma, de cowgirl; outra, com um casaco de peles semelhante à pelagem de um dálmata; e uma outra cobre parte do rosto com uma mascarilha de gato. Veste o comprido casaco, provavelmente de um irmão mais velho.
Um rapaz parece prender o olhar na distância. A sua pouca idade concedeu-lhe já, todavia, um ritus de ironia sob o insolúvel estatuto do agir proporcionado pelo uso de uma máscara no momento em que as suas mãos, de um modo alheado, dão volume a um fílmico rosto de borracha pronto a moldar terror na sua face juvenil. Uma rapariguinha, vestida de fada, segura numa das mãos uma vara com a estrela de seis pontas na extremidade. Fada, ou anjo caído da angeologia judaica, ela espera na inocência da idade a transformação do argumento, uma espécie de novidade, um quase milagre a ter lugar no estatismo da imagem e no tempo parado à saída da infância.
De certo modo, nenhum dos fotografados andará longe deste modo de «anjo caído» no espaço do tempo que Inês Gonçalves (con)firmou em fotografia. Eles são registo de silêncio. Um silêncio sem sombra. Que chegou até nós coberto de indiferença, apenas preso a um corpo fotografado, a coberto de uma identidade que se manteve secreta. Um único elo real prende cada uma destas imagens e a sustém no espaço da fotografia. É o tempo breve de uma escolha, de um traço de vontade, de uma intenção, de um gesto que ficou, de um desejo que por instantes chegou e venceu armado de todas as suas defesas e esse momento foi o uso lumínico de uma máscara. Como igualmente foi seu o uso de treva, que percorre em poalha nebulosa alguns dos espaços marcados em fundo.
Em cada uma das personagens desconhecidas, a máscara foi um tempo convenientemente extenso. Ter-lhes-á ajudado a formar o carácter. Viveu ao seu lado e ocupou-lhes a imaginação até ao seu aparecer em imagem e em metamorfose. Um dia, num parque de uma qualquer cidade — não importa o seu nome, para que tudo seja completude secreta —, Inês Gonçalves fotografou-as. Como personagens que representam um argumento fotográfico em acção (e, no entanto, presenças de grande estatismo), como personagens que demonstram um argumento ideal, mas de onde se ausentou o ponto de vista biográfico — apenas uma máscara, ou nem isso, pois será o clima da série que nos leva a induzir ser igualmente «máscara» o casaco malhado que a rapariga de cabelos compridos veste. A fotógrafa evidencia-as e as neutraliza-as em prova de inserção no mundo da imagem.
Esta série fotográfica não surge como uma descrição. Tem antes um limite directivo que perpassa de uma a outra fotografia, como se fosse um conceito limite entre o psíquico e o somático e, no entanto, o que está nas imagens não passa de retrato que, na ausência de um nome, transporta para uma implícita distância (siga-se o olhar dos vários jovens) o silêncio tomado enquanto determinação da sua própria força. Força de imanência, de horizonte de um aparecer de máscara (mas também de recusa do que na máscara e no estar mascarado possa surgir de paródico, tão de retorno em certa arte contemporânea) e de imersão da consciência do sujeito (de que se desconhece o nome) na estrutura intencional e pulsional do campo fotografado.
Nesta série de sete fotografias de Inês Gonçalves todo o processo se prende a uma íntima relação entre o acto e o objecto. Pertence-lhe, enquanto fotógrafa, prender as representações da cor (aqui, um esvair de cinzas), de sons, gostos, números (presentes através das volumetrias e atmosferas em registo), o passo que vai entre o acto e o objecto. Representar, pois, essa curva ou essa distância que vai, através da acção do verbo actuar, até ao objecto («rapaz com a máscara entre as mãos» ou «menina com a vara que termina em estrela»). Esta dimensão do acto, que talvez não seja mais do que um conseguido olhar sobre o objecto, tem consigo a dimensão de um intenso sentimento (fotográfico) e como que existência da imagem para além da centração no objecto escolhido. Por isso, o desconhecimento do nome e o limite, o agora da máscara, tomados como objectivação e mesmo modalidade do acto. João Miguel Fernandes Jorge
Gallery
by P4P 2008-04-30


